2007-03-08

Direitos humanos

Com a sua habitual prosápia, os EUA publicaram o costumeiro relatório anual do Departamento de Estado sobre direitos humanos.
O Ministro António Costa - coerentemente com a decisão que tomou, quando Ministro da Justiça, de negar à embaixada americana em Lisboa o direito a inspeccionar as prisões portuguesas enquanto ao embaixador português nos EUA não fosse dado o direito de inspeccionar as prisões americanas - respondeu à letra e seria bom que todos atentassemos na justeza do que disse.
AC não reconhece legitimidade à Administração Americana para se pronunciar sobre a polícia portuguesa, nem reconhece nenhum pergaminho especial aos EUA que os habilite a teorizar sobre a forma como a polícia portuguesa actua, em especial, digo eu, quando vamos sabendo como actua a polícia americana (e o exército - Guantanamo, lembram-se?).
A embaixada americana em Lisboa respondeu às críticas do governo português citando a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que responsabiliza todos os indivíduos e organismos pela promoção e respeito dos direitos humanos no mundo, e afirma que os EUA vão continuar a instar outros países a fazerem o mesmo e a manifestar a sua preocupação com os respectivos registos em matéria de direitos humanos.
Sem dúvida. É bom que os EUA o façam. O mundo precisa disso. Mas seria bom que os EUA fizessem um esforço para que todos tenhamos razões para continuar a olhá-los como um farol da democracia e dos direitos humanos.
É bom que os EUA continuem a, como disse o seu embaixador em Lisboa, trabalhar diligentemente para resolver os seus próprios problemas e não vejo que não devam continuar a manifestar a sua preocupação pelos atropelos dos direitos humanos no mundo.
Mas também seria bom que fossem coerentes e respeitadores das soberanias alheias ou, pelo menos, que se esforçassem para nos convencer que os seus princípios e preocupações não oscilam ao ritmo da cotação do barril do petróleo.

2007-03-01

João Lourenço Quitério

Ataíja de Cima
30-04-1922
27-02-2007

2007-02-24

Cara lavada

O Fado tem uma nova cara!
Aproveitei o upgrade para a nova versão do blogger para actualizar um pouco a imagem e as funcionalidades. Agora já é possível deixar um comentário, criar links para nós a partir do seu blog ou enviar os nossos textos a um amigo por email.
O grafismo ainda está pouco personalizado mas vou melhorar isso em breve, espero que gostem.

2006-12-29

Reguladores

Face a alguma polémica levantada pela demissão do presidente da ERSE (que propunha, recordemos, um aumento do preço da electricidade doméstica obviamente inaceitável por este ou por qualquer outro governo) o PSD sugeriu, esta quinta-feira, que seja criado um novo modelo de nomeação dos conselhos de administração das entidades reguladoras, onde a última palavra deve ser sempre do Presidente da República.
De acordo com o modelo proposto, «o Governo faria a proposta das pessoas a designar», que posteriormente «seriam ouvidas na Assembleia da República», através de uma comissão especializada, explicou à TSF Luís Pais Antunes.«Tendo em conta o resultado da audição, o Presidente da República tomaria a decisão», como acontece actualmente na nomeação do Governador do Banco de Portugal, acrescentou o vice-presidente do PSD.
Os sociais-democratas pretendem que esta medida sirva para evitar «manipulações politicas» na nomeação destes cargos e desenvolver um caminho mais democrático e respeitador do equilíbrio de poderes.

Há nesta notícia amplo espaço para reflecções consequentes:
a) porque é que chegamos a esta situação, em que o aumento economicamente “correcto” ultrapassaria os 16%?
b) Quem é que se esqueceu de aumentar quando devia?
c) Como é que se explica a necessidade de um aumento superior a 16% quando as empresas do sector continuam a dar lucros substanciais?
d) Porque é que em anos anteriores o Eng.º Vasconcelos nunca sentiu a necessidade de propor tais aumentos ou de se demitir?

Há nesta notícia espaço para interrogações pertinentes, sobre o vazio ideológico que submerge o PSD:
a) o evitar “manipulações políticas” leva-nos a um “caminho mais democrático”?
b) o envolver o Presidente da República na política de preços administrativamente fixados é da natureza da social-democracia? Mais;
c) Tal caminho é coerente com o sistema constitucional de separação de poderes?
d) Não seria mais lógico que as entidades reguladoras fossem nomeadas pela AR?

Estas coisas preocupam-me porque, não fazendo eu a mínima intenção de votar PSD nos tempos mais próximos, não descarto, por uma simples questão de bom-senso, a hipótese de um dia destes (um ano destes, melhor dizendo) ter de, democraticamente, ser governado por um governo PSD.

Nessa altura convinha-me que fosse um PSD responsável.
Que do outro já tive a minha dose.

2006-12-28

Sem título (por pudor)

Broche era, no meu tempo, um adorno que as senhoras usavam ao peito. Segundo o Dicionário Prático Ilustrado ( que não tem, aliás, nenhuma ilustração da coisa), trata-se de um fecho de metal ou jóia munida de um grosso alfinete. Ou, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, 8ª Edição, da Porto Editora, 1986,de um adereço em forma de fecho com que as mulheres prendem qualquer peça de vestuário junto ao pescoço.

Entretanto, as modas passaram e as mulheres deixaram-se dos broches.

Ao mesmo tempo o sentido da palavra metamorfoseou-se e hoje não pode ser pronunciada, salvo num grupo de machos, em contexto de anedota porca e em ambiente ligeiramente alcoolizado.

Vem isto a propósito de que, tendo eu passado o Natal num local que além de outras maravilhas tem essa de que quem quer o jornal tem de o ir buscar a mais de oito quilómetros de distância, regressado à cidade e ao hábito de começar o dia comprando o PÚBLICO (o hábito, quando desprovido de razão, chama-se vício) deparo com a preciosa notícia – ilustrada com fotografia do personagem – de que Mónica Lewinsky acabou de se pós-graduar em Psicologia em Londres. A notícia esclarecia que a senhora ficou famosa por ter mantido um caso com o ex-presidente americano Bill Clinton.

Obrigado José Manuel Fernandes!

Que seria de mim na ignorância de tal facto?

São estas e outras que fazem do PÚBLICO um grande jornal. São estas e outras que me fazem pensar porque é continuo a gastar dinheiro convosco.

Ah!, deixe-me acrescentar: V.Ex.a está a esmerar-se. Hoje a última página do PÚBLICO é dedicada, por inteiro, ao sexo à americana.

Muito obrigado.