A terminologia linguística para os ensinos básico e secundário é o tema da polémica em curso.
Cheira-me, à luz da experiência, que também esta é uma polémica inútil. Seja, vai ficar tudo na mesma como se não tivesse existido qualquer polémica. Mas é, apenas um feeling (feeling? esta não está, espero, na TLEBS) fruto, talvez, do meu reconhecido mau feitio.
Seja como for, não quero entrar na polémica. No meu tempo havia orações que foram, naquela época, capazes de matar qualquer hipótese de amor da generalidade dos estudantes pela literatura portuguesa. Sem conhecer (o que conheço – dos jornais – é suficiente para me convencar que se trata de coisa com que não quero lidar), aposto que a TLEBS não conseguirá fazer pior.
O problema não é a TLEBS. O problema é um sistema de ensino que ninguém – a não ser alguns dos que dele vivem – compreende ou respeita.
Veja-se o exemplo de uma amiga, mãe de uma criança de dez anos a frequentar o quinto ano de escolaridade:
Ontem a criança apareceu espavorida em casa, dizendo que a professora exigia que hoje chegasse à escola com um livro de receitas tirado da internet.
Parece que o exercício tinha por objectivo exercitar as competências de pesquisa online, transferência e impressão de ficheiros, incluindo fotografias, formatação de textos, com negritos, sublinhados e mais não sei o quê.
Resultado, para aplacar o stress em que a filha notoriamente vive , chegada a casa tarde e más horas (é verdade, há funcionários públicos que trabalham, sem remuneração, muitas horas extraordinárias) a minha amiga decidiu ajudar e, passada a meia-noite, lá estava o livro de receitas tirado da internet concluído.
Levantar cedo, preparar a filha para apanhar a carrinha do colégio (sim, Sr. Prof. Mário Pinto. Trata-se de um colégio privado), até que, na hora do beijo à porta, a criança dispara: Mãe! Não temos bebidas!
Enquanto a filha descia com o pai, a minha amiga fez mais uma correria para o computador, pesquisou, encontrou e imprimiu uma sangria e desceu, sempre a correr, ainda em pijama e meias, até à carrinha que já esperava.
Pergunta simples de um ignorante destas coisas: Não bastaria pedir-se uma receita a cada aluno e juntar tudo, devidamente corrigido na sala de aula, para formar um livro de receitas da turma?
2006-12-07
2006-11-14
Greves e Verdades
Nos últimos episódios (até à data), de um ping-pong que começou na manhã do dia da greve, o Diário de Notícias publicou ontem uma notícia segundo a qual, muitos trabalhadores optaram por meter baixa no dia de greve, facto que justificará, em parte as divergências entre Governo e Sindicatos na contagem dos grevistas.
A CGTP reagiu com acusações ao Governo de manipulação da informação.
Ora, esta questão de saber qual a efectiva adesão a uma greve é matéria que não pode deixar de interessar a todos. Ao Governo, porque lhe convém ter um indicador fiável do descontentamento. Aos sindicatos porque, igualmente, lhes convém possuir um indicador fiável da adequação das suas políticas aos interesses dos seus associados.
Estou a ser ingénuo? Parece que sim, uma vez que todos, Sindicatos e Governo, parecem, antes, apostados em esconder a realidade.
Mas, ainda que assim seja e, sobretudo, se assim for, eu, cidadão, tenho o direito de conhecer a verdade.
E, quando os números do Estado se ficam por pouco mais de 10% e os dos Sindicatos apontam para os 80% de adesão, então alguém está a mentir (ou ambos) e, eu, cidadão, tenho o direito de que não me mintam.
Acabem, por isso, com estas picardias.
A greve é um direito e tem uma consequência: o não pagamento do vencimento correspondente.
Nada mais simples, portanto: veja-se, no fim do mês, quantos funcionários sofreram desconto de vencimento no dia da greve. Esse é o número máximo, possível de aderentes à greve.
Deixem-se de picardias e falem-nos verdade.
A CGTP reagiu com acusações ao Governo de manipulação da informação.
Ora, esta questão de saber qual a efectiva adesão a uma greve é matéria que não pode deixar de interessar a todos. Ao Governo, porque lhe convém ter um indicador fiável do descontentamento. Aos sindicatos porque, igualmente, lhes convém possuir um indicador fiável da adequação das suas políticas aos interesses dos seus associados.
Estou a ser ingénuo? Parece que sim, uma vez que todos, Sindicatos e Governo, parecem, antes, apostados em esconder a realidade.
Mas, ainda que assim seja e, sobretudo, se assim for, eu, cidadão, tenho o direito de conhecer a verdade.
E, quando os números do Estado se ficam por pouco mais de 10% e os dos Sindicatos apontam para os 80% de adesão, então alguém está a mentir (ou ambos) e, eu, cidadão, tenho o direito de que não me mintam.
Acabem, por isso, com estas picardias.
A greve é um direito e tem uma consequência: o não pagamento do vencimento correspondente.
Nada mais simples, portanto: veja-se, no fim do mês, quantos funcionários sofreram desconto de vencimento no dia da greve. Esse é o número máximo, possível de aderentes à greve.
Deixem-se de picardias e falem-nos verdade.
2006-11-07
O BE aderiu ao corporativismo
Segundo os jornais de hoje:
O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, propôs, ontem, um sistema de avaliação para os professores dos ensinos Básico e Secundário semelhante ao dos docentes universitários, em alternativa ao processo de quotas defendido pelo Ministério da Educação (ME). "No Ensino Superior temos um modelo de avaliação em que um conjunto de professores da escola e de fora da escola, escolhidos pelas suas capacidades reconhecidas, fazem uma avaliação inter-pares da capacidade pedagógica e da capacidade científica e do trabalho que as pessoas deram à escola", defendeu Francisco Louçã. O líder do BE falava aos jornalistas após visitar uma escola básica de Lisboa. Louçã defendeu que o "modelo de rigor" em que são avaliados os professores do Ensino Superior "deve ser aplicado também nos outros níveis de ensino". Francisco Louçã insurgiu-se contra o sistema de avaliação dos professores proposto pelo ME, que considera ser "um sistema fechado que impede que as pessoas exerçam uma profissão de acordo com as suas capacidades". Segundo Francisco Louçã, "a quota serve para excluir, não para avaliar".
O Dr. Louçã tem, em parelha com o Dr. Mendes e o Gato Fedorento, um problema nem sempre facilmente ultrapassável: Tem horas para falar e tem de dizer coisas originais para agradar a plateias exigentes. Mas isso não justifica tudo.
Quando o triste (tristemente inexistente) papel da Universidade na História de Portugal, deveria levar qualquer alma minimamente séria a concluir que o modelo de avaliação universitária (que todos sabemos se tem caracterizado por tudo menos pelo rigor) deveria ser mudado e não reproduzido, é triste ver esse farol da “esquerda” que o BE arrogantemente se julga, cooptado pelo mais retrogrado corporativismo.
Avaliação pelos pares? Tenha dó Sr. Dr.
Foi a avaliação pelos pares que nos colocou onde estamos!
O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, propôs, ontem, um sistema de avaliação para os professores dos ensinos Básico e Secundário semelhante ao dos docentes universitários, em alternativa ao processo de quotas defendido pelo Ministério da Educação (ME). "No Ensino Superior temos um modelo de avaliação em que um conjunto de professores da escola e de fora da escola, escolhidos pelas suas capacidades reconhecidas, fazem uma avaliação inter-pares da capacidade pedagógica e da capacidade científica e do trabalho que as pessoas deram à escola", defendeu Francisco Louçã. O líder do BE falava aos jornalistas após visitar uma escola básica de Lisboa. Louçã defendeu que o "modelo de rigor" em que são avaliados os professores do Ensino Superior "deve ser aplicado também nos outros níveis de ensino". Francisco Louçã insurgiu-se contra o sistema de avaliação dos professores proposto pelo ME, que considera ser "um sistema fechado que impede que as pessoas exerçam uma profissão de acordo com as suas capacidades". Segundo Francisco Louçã, "a quota serve para excluir, não para avaliar".
O Dr. Louçã tem, em parelha com o Dr. Mendes e o Gato Fedorento, um problema nem sempre facilmente ultrapassável: Tem horas para falar e tem de dizer coisas originais para agradar a plateias exigentes. Mas isso não justifica tudo.
Quando o triste (tristemente inexistente) papel da Universidade na História de Portugal, deveria levar qualquer alma minimamente séria a concluir que o modelo de avaliação universitária (que todos sabemos se tem caracterizado por tudo menos pelo rigor) deveria ser mudado e não reproduzido, é triste ver esse farol da “esquerda” que o BE arrogantemente se julga, cooptado pelo mais retrogrado corporativismo.
Avaliação pelos pares? Tenha dó Sr. Dr.
Foi a avaliação pelos pares que nos colocou onde estamos!
2006-11-02
Inutilidades
O PÚBLICO tem por hábito colocar a “referendo” dos seus leitores algumas questões bizantinas, a última das quais era: “Concordaria com uma eventual união entre Portugal e Espanha?”.
Dos que acharam útil perder tempo e dinheiro a responder, 43% respondeu que sim.
Que devemos concluir? Que 43% dos portugueses concordam com a união entre Portugal e Espanha?
Não me parece. O melhor é concluir apenas que os 43% dos televotantes da questão, ou melhor, 43% dos televotos expressos, disseram sim.
E, mais, concluir que aqueles votos representam uma idéia errada.
Quando Catalães e Bascos, Galegos e, até Valencianos e Estremenhos querem desunir-se de “Espanha” porque haveríamos nós de nos querer unir?
Dos que acharam útil perder tempo e dinheiro a responder, 43% respondeu que sim.
Que devemos concluir? Que 43% dos portugueses concordam com a união entre Portugal e Espanha?
Não me parece. O melhor é concluir apenas que os 43% dos televotantes da questão, ou melhor, 43% dos televotos expressos, disseram sim.
E, mais, concluir que aqueles votos representam uma idéia errada.
Quando Catalães e Bascos, Galegos e, até Valencianos e Estremenhos querem desunir-se de “Espanha” porque haveríamos nós de nos querer unir?
2006-02-03
Casamentos
A conversa do dia (em disputa cerrada com o euromilhões, diga-se) é a questão do casamento homossexual.
Ora, o casamento não é nem o que os que são contra pretendem nem, muito menos, o que julgam os homossexuais candidatos. Quanto a estes, convicto que estou de que alguma coisa os legisladores hão-de inventar para os calar, é certo que não faltará muito para ver-mos legisladas as relações entre pessoas do mesmo sexo. Quanto aos do contra, sabida a extraordinária capacidade de adaptação do povo português, não tardará muito para que aceitem os factos, como aceitaram o voto feminino e muitas outras coisas que pouco tempo antes abominavam.
O que eu não entendo é o entusiasmo dos homossexuais.
Querem casar-se para quê, quando os heterossexuais se casam cada vez menos e já conseguiram o reconhecimento legal da união de facto?
Será que os homossexuais querem ter direito ao casamento para “selar” socialmente o seu amor? Se assim é então isso só prova que nada sabem de História, no que aliás estão muito bem acompanhados pelos mais ferozes oponentes, desde logo os que trazem à colação a religião.
António Alçada Baptista escreveu, há anos atrás, que o casamento morreu no Século XIII, quando nele se intrometeu o amor (cito de cor um texto, se bem me lembro, publicado na revista Máxima).
De facto, o casamento não é uma benção religiosa nem um mero contrato civil (só o é há duzentos anos) nem, muito menos, um pacto de amor (é-o desde o Século XIII, mais nos romances de cavalaria do que na vida e voltou a sê-lo, a partir do Século XIX, por acção das idéias românticas).
Historicamente o casamento é, sobretudo, um pacto de gestão de patrimónios.
Como os homossexuais vão, em breve, descobrir.
Ou, como dizia o meu saudoso patrono: Ah! Vocês dão-se bem? Então façam partilhas!
Ora, o casamento não é nem o que os que são contra pretendem nem, muito menos, o que julgam os homossexuais candidatos. Quanto a estes, convicto que estou de que alguma coisa os legisladores hão-de inventar para os calar, é certo que não faltará muito para ver-mos legisladas as relações entre pessoas do mesmo sexo. Quanto aos do contra, sabida a extraordinária capacidade de adaptação do povo português, não tardará muito para que aceitem os factos, como aceitaram o voto feminino e muitas outras coisas que pouco tempo antes abominavam.
O que eu não entendo é o entusiasmo dos homossexuais.
Querem casar-se para quê, quando os heterossexuais se casam cada vez menos e já conseguiram o reconhecimento legal da união de facto?
Será que os homossexuais querem ter direito ao casamento para “selar” socialmente o seu amor? Se assim é então isso só prova que nada sabem de História, no que aliás estão muito bem acompanhados pelos mais ferozes oponentes, desde logo os que trazem à colação a religião.
António Alçada Baptista escreveu, há anos atrás, que o casamento morreu no Século XIII, quando nele se intrometeu o amor (cito de cor um texto, se bem me lembro, publicado na revista Máxima).
De facto, o casamento não é uma benção religiosa nem um mero contrato civil (só o é há duzentos anos) nem, muito menos, um pacto de amor (é-o desde o Século XIII, mais nos romances de cavalaria do que na vida e voltou a sê-lo, a partir do Século XIX, por acção das idéias românticas).
Historicamente o casamento é, sobretudo, um pacto de gestão de patrimónios.
Como os homossexuais vão, em breve, descobrir.
Ou, como dizia o meu saudoso patrono: Ah! Vocês dão-se bem? Então façam partilhas!
Subscrever:
Mensagens (Atom)