José Sócrates anunciou que os concursos de professores dos ensinos básico e secundário vão passar a valer por quatro ou três anos, segundo a duração do respectivo ciclo.
Eis uma boa notícia.
Finalmente, temos um Governo que vê o óbvio, seja, que o concurso anual de professores já não faz sentido.
A intenção política anunciada carece, no entanto e como todas, de ser criteriosamente implementada, sob pena de as melhores intenções morrerem na primeira esquina dos interesses.
Em primeiro lugar, há que ser claramente percebido que um professor do 1º ciclo do ensino básico nada tem a ver com um professor de uma física do ensino secundário.
Não tendo nada a ver um com o outro não têm que ser misturados no mesmo concurso.
Em segundo lugar, há que entender que os professores do quadro de nomeação definitiva, nada têm a ver com os candidatos à docência e, por isso, não têm que ser necessariamente envolvidos no mesmo concurso.
Em terceiro lugar, há que entender que todos os sistemas têm perdas. Todos os sistemas tendem para a degradação.
Em quarto lugar há que perceber que as necessidades efectivas do sistema educativo são independentes das necessidade de emprego.
O actual sistema de colocação de professores, tendo, legitimamente, a ambição da perfeição, foi-se deteriorando ao longo dos tempos e esgotou o seu prazo de validade.
Há mais de dez anos que fiz uma proposta simples e claramente necessária: Faça-se, antes de tudo, um concurso que constitua um sistema global de permutas, restrito aos professores do quadro de nomeação definitiva, de modo a colocar o maior número possível de professores nos lugares que efectivamente pretendem.
A experiência mostra que o sistema de concursos que tem vigorado coloca apenas um pequeno número de professores nos lugares que estes pretendem, um largo número de professores relativamente próximo dos lugares que pretendem e, finalmente, os restantes (os que são entrevistados pelas televisões), longe dos lugares que pretendem.
Este é um efeito perverso do desejo de perfeição do sistema que se compreende com um exemplo simples: Imagine-se que todos os professores de física do ensino secundário eram de Lisboa e queriam trabalhar em Lisboa e todos ordenavam as suas preferências de igual modo. De acordo com a lista graduada (onde todos os professores são ordenados por ordem decrescente da sua classificação profissional), apenas o primeiro fica no lugar que pretende e os demais irão ficar cada vez mais longe dele. Quando surgir uma vaga, (mantendo todos a mesma ordem de preferências), a colocação de um deles nessa vaga, implica a mudança de todos os outros com menor classificação profisisonal. No concurso seguinte todos estão um bocadinho mais próximos do lugar que pretendem, mas todos, efectivamente, fora do lugar que pretendem.
Com um horizonte de três ou quatro anos as pessoas podem fazer opções. Se for permitido aos professores do quadro de nomeação definitiva permutar, colocaremos a maioria deles em lugares aceitáveis e faremos com que as suas opções de vida se alterem no sentido da estabilidade (ex: a família quer comprar uma casa e hesita entre o Fogueteiro e Alverca porque não sabe onde é que o cônjuge professor vai ser colocado no próximo ano, sendo que o cônjuge do professor trabalha na margem Norte. Se o professor for colocado em Vila Franca de Xira, o lógico é que a família opte por ir morar para Alverca.
Do mesmo modo, no que respeita às periferias, onde muito do mau aproveitamento dos alunos é directamente relacionável com a instabilidade do corpo docente: É possível às famílias pensar seriamente em estabelecer-se numa cidade de província se daí lhe advier segurança e estabilidade. Mas não é possível fazê-lo com um horizonte de um ano lectivo.
A boa idéia do governo terá, pois, todas as condições de êxito se for devidamente ponderado este tipo de questões.
Mas isso implica deixar de pensar o concurso de professores, como um momento alto da política, cujo início e conclusão é motivo de abertura dos telejornais. Afinal, não é isso que acontece com o provimento de mais nenhuma das muitas profissões públicas que, como os professores, devem exercer a sua actividade não na sua terra mas onde são precisos. No caso, onde estão as crianças.
O caminho não é fácil mas é possível. O Governo deve, no entanto, contar com inúmeros obstáculos, dos quais o menor não será a atitude dos sindicatos cujo poder desproporcional se alimenta, além do mais, da confusão deliberada entre professores e candidatos à docência. Porque, não tenhamos dúvidas, se o governo levar avante a mudança anunciada, vai haver muito jovem licenciado a ter de perceber rapidamente que o seu futuro não passa por ser professor.
2005-09-05
2005-08-31
Incêndios
O Ministro António Costa anunciou que Portugal vai ter, finalmente, meios aéreos próprios de combate a incêndios rurais.
É uma boa notícia, desde logo porque, segundo parece, permitirá poupar dinheiro o que é muito importante.
Mas é preciso que toda a gente esteja consciente de que a capacidade dos meios aéreos é independente da sua propriedade.
Não é por os aviões e helicópteros serem nossos que vão passar a apagar mais e melhor ou que o número de incêndios vai diminuir.
É uma boa notícia, desde logo porque, segundo parece, permitirá poupar dinheiro o que é muito importante.
Mas é preciso que toda a gente esteja consciente de que a capacidade dos meios aéreos é independente da sua propriedade.
Não é por os aviões e helicópteros serem nossos que vão passar a apagar mais e melhor ou que o número de incêndios vai diminuir.
2005-08-29
Colocação de professores
Após a saga de 2004, um enorme silêncio jornalístico tem rodeado este ano a questão do concurso de professores.
Não sei se as coisas vão correr bem ou mal e, pelos vistos, ninguém sabe.
O Ministério veio esclarecer que o prazo era a segunda quinzena de Agosto por isso, na antevéspera de o prazo terminar, começaram as movimentações com os sindicatos a pré-anunciar os problemas.
Verdade seja dita que, enquanto este sistema de colocação de professores se mantiver, os sindicatos têm a vida mais facilitada que qualquer adivinho de banca montada. Deste sistema de colocação de professores nunca podem vir boas notícias. Só as desgraças são de esperar.
Tinha que ser assim?
Não.
Na generalidade das funções públicas o problema do concurso anual se não coloca.
Então, porque é que se há-de colocar relativamente aos professores?
O planeamento das necessidades de docentes é uma das coisas mais fáceis de fazer.
Todas as crianças e jovens que vão estar na escola no próximo mês já estão nascidas há vários anos e sabemos exactamente quanto são e onde estão, para que ano vão, que disciplinas vão ter. Seja, sabemos tudo com antecipação suficiente e, portanto, sabemos exactamente de que professores precisamos.Qual é o problema de os colocar onde são precisos?
Não sei se as coisas vão correr bem ou mal e, pelos vistos, ninguém sabe.
O Ministério veio esclarecer que o prazo era a segunda quinzena de Agosto por isso, na antevéspera de o prazo terminar, começaram as movimentações com os sindicatos a pré-anunciar os problemas.
Verdade seja dita que, enquanto este sistema de colocação de professores se mantiver, os sindicatos têm a vida mais facilitada que qualquer adivinho de banca montada. Deste sistema de colocação de professores nunca podem vir boas notícias. Só as desgraças são de esperar.
Tinha que ser assim?
Não.
Na generalidade das funções públicas o problema do concurso anual se não coloca.
Então, porque é que se há-de colocar relativamente aos professores?
O planeamento das necessidades de docentes é uma das coisas mais fáceis de fazer.
Todas as crianças e jovens que vão estar na escola no próximo mês já estão nascidas há vários anos e sabemos exactamente quanto são e onde estão, para que ano vão, que disciplinas vão ter. Seja, sabemos tudo com antecipação suficiente e, portanto, sabemos exactamente de que professores precisamos.Qual é o problema de os colocar onde são precisos?
2004-11-09
Miguel Pais do Amaral
Conforme declarações de hoje, do próprio, fica definitivamente provado que o Engº não é um pressionado.
É um papagaio!
Que o caso Marcello é um problema interno de uma empresa privada. Disse!
Mas óh meu senhor!
Isso é o que nós andamos a ouvir, há um mês, dos melhores porta-vozes do PSD e do PP.
Só agora é que ouviu, ou só agora é que percebeu?
Papagaio, surdo e de compreensão lenta?
É um papagaio!
Que o caso Marcello é um problema interno de uma empresa privada. Disse!
Mas óh meu senhor!
Isso é o que nós andamos a ouvir, há um mês, dos melhores porta-vozes do PSD e do PP.
Só agora é que ouviu, ou só agora é que percebeu?
Papagaio, surdo e de compreensão lenta?
2004-09-13
SNS
“Aqueles que mais podem, quando recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde têm de pagar a taxa correspondente ao seus rendimentos e por isso mesmo terão cartões que os identificam segundo classe de contribuinte que têm. Quem não pode não paga, agora quem podem pagar, com certeza tem de pagar a taxa correspondente ao seu rendimento», explicou Santana Lopes (citado na TSF Online).
Em face do que também eu me vejo forçado a dar uma explicação a todos os bancos e emissores de cartões em geral:
Como V.Ex.as sabem sou obrigado a usar diariamente na carteira uma larga panóplia de cartões que vão desde o bilhete de identidade ao cartão de contribuinte, multibanco, cartão de crédito e de sócio do ACP (com opção – não activada - de cartão de crédito mastercard) e o da Via Verde, cartão de funcionário e de “ponto” e cartões de visita, os de utente da Savida e do SNS, de beneficiário dos SSMJ (“com restrição de direitos”) e da ADSE, o cartão de eleitor e a carta de condução.
Em casa, deixo, ainda, por desnecessários ou não usados, (salvo, nos casos aplicáveis, para colagem da vinheta da quota paga) os cartões de sócio do Grupo Desportivo e Recreativo Ataíjense, da Associação Cultural e Recreativa das Olalhas, da Associação de Melhoramentos do Poço Redondo, da Caixa de Previdência do Ministério da Educação, da Cooplar – Cooperativa de Habitação e Construção, CRL, , e do Grupo da Moda e cartões da Makro e de desconto da Shell e da Repsol, do PS, de dador de sangue ao Hospital de Santa Maria e de carregamento do telemóvel pré-pago.
Guardo, a título de objectos de estimação, cartões vários, designadamente os de aluno da Escola Industrial Afonso Domingues e da Faculdade de Direito de Lisboa e os de sócio do Sindicato dos Técnicos de Desenho e do STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.
Deitei fora, ou perdi ou rasguei, por considerar inúteis ou porque os recebi em circunstâncias já ultrapassadas ou, simplesmente, sem os ter pedido, cartões de crédito vários, do Totta ao Citibank e do Carrefour ao Corte Inglés e a mais não sei quantas e quais entidades, o de leitor da Biblioteca Municipal do Vale Fundão, o da Charles, o da Fotosport e o de vitivinicultor e recusei-me a preencher o formulário para, entre outros, o cartão da FNAC (o único cartão que não tenho e gostava de ter é o de sócio da ADEPA - Associação de Defesa do Património Cultural da Região de Alcobaça. Mas a verdade é que nunca consegui descobrir como é que um homem se pode fazer sócio de tão prestimosa agremiação, apesar de mais de uma tentativa).
Para tal chuva de cartões e mais o passaporte, a caderneta militar, o boletim internacional de vacinação e outros que agora me não ocorrem, não me bastaria uma carteira, nem, talvez, uma mala de média dimensão (permita-se-me que, aqui manifeste a minha profunda solidariedade a todos aqueles infelizes cidadãos que possuidores de todos estes cartões, ou equivalentes, ou similares, carregam, ainda, com mais três ou quatro cartões de crédito, solidariedade essa mais intensa ainda, se possível, nas segundas quinzenas de cada mês).
Compreenderão, pois, V.Ex.as que eu não queira mais cartões. Acresce que, sendo eu funcionário público, cumpridor forçado das minhas obrigações fiscais, não há qualquer espécie de dúvida de que Sua Excelência o Primeiro-Ministro vai tirar a brilhante conclusão de que eu integro o grupo daqueles que mais podem e, assim, não só me vai obrigar a andar com mais um cartão (de uma penada Sua Excelência criou um novo negócio – mais de dez milhões de cartões -, que, por de êxito antecipadamente garantido, vai ter reflexos positivos na evolução do PIB. Por isso, a minha homenagem), como me vai fazer pagar mais pelo Serviço Nacional de Saúde,
Explicação, pois, a todos os bancos e emissores de cartões em geral:
Estando eu irritado com esta mania dos governos de irem buscar o dinheiro ao sítio do costume (consta que o Joe Dalton respondeu, quando o juíz lhe perguntou porque é que assaltava bancos, que era porque lá é que estava o dinheiro – queria ele dizer que sabia que lá estava dinheiro que ele podia tirar) e com as pretensas explicações de Sua Excelência que nada explicam (porque é que Sua Excelência não me explica, por exemplo, se a idéia é de algum pícaro autótone ou, pelo contrário, foi copiada de um daqueles países que queremos imitar?). Estando eu convencido que a minha inteligência está a ser insultada e não podendo, por razões que me dispenso de explicitar, insultar a inteligência de Sua Excelência (e, assim, não insulto), peço encarecidamente a todos os emissores de cartões (em particular ao Citibank e ao Totta que têm tendência para me tentar impingir cartões de crédito quanto estou a jantar) que façam o favor de me não oferecer mais cartões. Muito menos à hora de jantar. É que eu, confesso, às vezes perco as estribeiras e não quero que V.Ex.as sejam molestadas com insultos que, melhor, assentariam a outros fornecedores de cartões.
Em face do que também eu me vejo forçado a dar uma explicação a todos os bancos e emissores de cartões em geral:
Como V.Ex.as sabem sou obrigado a usar diariamente na carteira uma larga panóplia de cartões que vão desde o bilhete de identidade ao cartão de contribuinte, multibanco, cartão de crédito e de sócio do ACP (com opção – não activada - de cartão de crédito mastercard) e o da Via Verde, cartão de funcionário e de “ponto” e cartões de visita, os de utente da Savida e do SNS, de beneficiário dos SSMJ (“com restrição de direitos”) e da ADSE, o cartão de eleitor e a carta de condução.
Em casa, deixo, ainda, por desnecessários ou não usados, (salvo, nos casos aplicáveis, para colagem da vinheta da quota paga) os cartões de sócio do Grupo Desportivo e Recreativo Ataíjense, da Associação Cultural e Recreativa das Olalhas, da Associação de Melhoramentos do Poço Redondo, da Caixa de Previdência do Ministério da Educação, da Cooplar – Cooperativa de Habitação e Construção, CRL, , e do Grupo da Moda e cartões da Makro e de desconto da Shell e da Repsol, do PS, de dador de sangue ao Hospital de Santa Maria e de carregamento do telemóvel pré-pago.
Guardo, a título de objectos de estimação, cartões vários, designadamente os de aluno da Escola Industrial Afonso Domingues e da Faculdade de Direito de Lisboa e os de sócio do Sindicato dos Técnicos de Desenho e do STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.
Deitei fora, ou perdi ou rasguei, por considerar inúteis ou porque os recebi em circunstâncias já ultrapassadas ou, simplesmente, sem os ter pedido, cartões de crédito vários, do Totta ao Citibank e do Carrefour ao Corte Inglés e a mais não sei quantas e quais entidades, o de leitor da Biblioteca Municipal do Vale Fundão, o da Charles, o da Fotosport e o de vitivinicultor e recusei-me a preencher o formulário para, entre outros, o cartão da FNAC (o único cartão que não tenho e gostava de ter é o de sócio da ADEPA - Associação de Defesa do Património Cultural da Região de Alcobaça. Mas a verdade é que nunca consegui descobrir como é que um homem se pode fazer sócio de tão prestimosa agremiação, apesar de mais de uma tentativa).
Para tal chuva de cartões e mais o passaporte, a caderneta militar, o boletim internacional de vacinação e outros que agora me não ocorrem, não me bastaria uma carteira, nem, talvez, uma mala de média dimensão (permita-se-me que, aqui manifeste a minha profunda solidariedade a todos aqueles infelizes cidadãos que possuidores de todos estes cartões, ou equivalentes, ou similares, carregam, ainda, com mais três ou quatro cartões de crédito, solidariedade essa mais intensa ainda, se possível, nas segundas quinzenas de cada mês).
Compreenderão, pois, V.Ex.as que eu não queira mais cartões. Acresce que, sendo eu funcionário público, cumpridor forçado das minhas obrigações fiscais, não há qualquer espécie de dúvida de que Sua Excelência o Primeiro-Ministro vai tirar a brilhante conclusão de que eu integro o grupo daqueles que mais podem e, assim, não só me vai obrigar a andar com mais um cartão (de uma penada Sua Excelência criou um novo negócio – mais de dez milhões de cartões -, que, por de êxito antecipadamente garantido, vai ter reflexos positivos na evolução do PIB. Por isso, a minha homenagem), como me vai fazer pagar mais pelo Serviço Nacional de Saúde,
Explicação, pois, a todos os bancos e emissores de cartões em geral:
Estando eu irritado com esta mania dos governos de irem buscar o dinheiro ao sítio do costume (consta que o Joe Dalton respondeu, quando o juíz lhe perguntou porque é que assaltava bancos, que era porque lá é que estava o dinheiro – queria ele dizer que sabia que lá estava dinheiro que ele podia tirar) e com as pretensas explicações de Sua Excelência que nada explicam (porque é que Sua Excelência não me explica, por exemplo, se a idéia é de algum pícaro autótone ou, pelo contrário, foi copiada de um daqueles países que queremos imitar?). Estando eu convencido que a minha inteligência está a ser insultada e não podendo, por razões que me dispenso de explicitar, insultar a inteligência de Sua Excelência (e, assim, não insulto), peço encarecidamente a todos os emissores de cartões (em particular ao Citibank e ao Totta que têm tendência para me tentar impingir cartões de crédito quanto estou a jantar) que façam o favor de me não oferecer mais cartões. Muito menos à hora de jantar. É que eu, confesso, às vezes perco as estribeiras e não quero que V.Ex.as sejam molestadas com insultos que, melhor, assentariam a outros fornecedores de cartões.
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