2004-11-09

Miguel Pais do Amaral

Conforme declarações de hoje, do próprio, fica definitivamente provado que o Engº não é um pressionado.
É um papagaio!
Que o caso Marcello é um problema interno de uma empresa privada. Disse!
Mas óh meu senhor!
Isso é o que nós andamos a ouvir, há um mês, dos melhores porta-vozes do PSD e do PP.
Só agora é que ouviu, ou só agora é que percebeu?
Papagaio, surdo e de compreensão lenta?

2004-09-13

SNS

“Aqueles que mais podem, quando recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde têm de pagar a taxa correspondente ao seus rendimentos e por isso mesmo terão cartões que os identificam segundo classe de contribuinte que têm. Quem não pode não paga, agora quem podem pagar, com certeza tem de pagar a taxa correspondente ao seu rendimento», explicou Santana Lopes (citado na TSF Online).

Em face do que também eu me vejo forçado a dar uma explicação a todos os bancos e emissores de cartões em geral:

Como V.Ex.as sabem sou obrigado a usar diariamente na carteira uma larga panóplia de cartões que vão desde o bilhete de identidade ao cartão de contribuinte, multibanco, cartão de crédito e de sócio do ACP (com opção – não activada - de cartão de crédito mastercard) e o da Via Verde, cartão de funcionário e de “ponto” e cartões de visita, os de utente da Savida e do SNS, de beneficiário dos SSMJ (“com restrição de direitos”) e da ADSE, o cartão de eleitor e a carta de condução.

Em casa, deixo, ainda, por desnecessários ou não usados, (salvo, nos casos aplicáveis, para colagem da vinheta da quota paga) os cartões de sócio do Grupo Desportivo e Recreativo Ataíjense, da Associação Cultural e Recreativa das Olalhas, da Associação de Melhoramentos do Poço Redondo, da Caixa de Previdência do Ministério da Educação, da Cooplar – Cooperativa de Habitação e Construção, CRL, , e do Grupo da Moda e cartões da Makro e de desconto da Shell e da Repsol, do PS, de dador de sangue ao Hospital de Santa Maria e de carregamento do telemóvel pré-pago.

Guardo, a título de objectos de estimação, cartões vários, designadamente os de aluno da Escola Industrial Afonso Domingues e da Faculdade de Direito de Lisboa e os de sócio do Sindicato dos Técnicos de Desenho e do STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.

Deitei fora, ou perdi ou rasguei, por considerar inúteis ou porque os recebi em circunstâncias já ultrapassadas ou, simplesmente, sem os ter pedido, cartões de crédito vários, do Totta ao Citibank e do Carrefour ao Corte Inglés e a mais não sei quantas e quais entidades, o de leitor da Biblioteca Municipal do Vale Fundão, o da Charles, o da Fotosport e o de vitivinicultor e recusei-me a preencher o formulário para, entre outros, o cartão da FNAC (o único cartão que não tenho e gostava de ter é o de sócio da ADEPA - Associação de Defesa do Património Cultural da Região de Alcobaça. Mas a verdade é que nunca consegui descobrir como é que um homem se pode fazer sócio de tão prestimosa agremiação, apesar de mais de uma tentativa).

Para tal chuva de cartões e mais o passaporte, a caderneta militar, o boletim internacional de vacinação e outros que agora me não ocorrem, não me bastaria uma carteira, nem, talvez, uma mala de média dimensão (permita-se-me que, aqui manifeste a minha profunda solidariedade a todos aqueles infelizes cidadãos que possuidores de todos estes cartões, ou equivalentes, ou similares, carregam, ainda, com mais três ou quatro cartões de crédito, solidariedade essa mais intensa ainda, se possível, nas segundas quinzenas de cada mês).

Compreenderão, pois, V.Ex.as que eu não queira mais cartões. Acresce que, sendo eu funcionário público, cumpridor forçado das minhas obrigações fiscais, não há qualquer espécie de dúvida de que Sua Excelência o Primeiro-Ministro vai tirar a brilhante conclusão de que eu integro o grupo daqueles que mais podem e, assim, não só me vai obrigar a andar com mais um cartão (de uma penada Sua Excelência criou um novo negócio – mais de dez milhões de cartões -, que, por de êxito antecipadamente garantido, vai ter reflexos positivos na evolução do PIB. Por isso, a minha homenagem), como me vai fazer pagar mais pelo Serviço Nacional de Saúde,

Explicação, pois, a todos os bancos e emissores de cartões em geral:

Estando eu irritado com esta mania dos governos de irem buscar o dinheiro ao sítio do costume (consta que o Joe Dalton respondeu, quando o juíz lhe perguntou porque é que assaltava bancos, que era porque lá é que estava o dinheiro – queria ele dizer que sabia que lá estava dinheiro que ele podia tirar) e com as pretensas explicações de Sua Excelência que nada explicam (porque é que Sua Excelência não me explica, por exemplo, se a idéia é de algum pícaro autótone ou, pelo contrário, foi copiada de um daqueles países que queremos imitar?). Estando eu convencido que a minha inteligência está a ser insultada e não podendo, por razões que me dispenso de explicitar, insultar a inteligência de Sua Excelência (e, assim, não insulto), peço encarecidamente a todos os emissores de cartões (em particular ao Citibank e ao Totta que têm tendência para me tentar impingir cartões de crédito quanto estou a jantar) que façam o favor de me não oferecer mais cartões. Muito menos à hora de jantar. É que eu, confesso, às vezes perco as estribeiras e não quero que V.Ex.as sejam molestadas com insultos que, melhor, assentariam a outros fornecedores de cartões.


2004-08-26

PÚBLICO

Ex.mo Sr. Director do jornal PÚBLICO
Sou leitor do "PÚBLICO" desde o primeiro número. Não posso, por isso, deixar de me inquietar com as derivas editoriais a que ultimamente tenho vindo a assistir e põem em causa a credibilidade que o jornal me merece e quero que continue a merecer.
Hoje decidiu V.Ex.a puxar para título a afirmação de que "Juiz da Relação que decide destino de Pedroso tem ligações ao PS".
Tem o PÚBLICO consciência do que está a fazer?
Os juízes vão, agora, ficar todos sob suspeita e vamos escrutinar, para cada caso, não só as suas eventuais simpatias partidárias como também as dos cônjuges e, sabe-se lá as de que mais parentes, amigos e vizinhos?
Pretende V.Ex.a que, a partir de agora, nenhum juíz possa julgar pessoas de partido de que seja simpatizante?
Poderá esse mesmo juíz julgar casos em que são parte pessoas de partidos com que, de todo em todo, não simpatiza?
Mero exemplo: Diga-me Sr. Director (diga aos seus leitores) que casos poderá julgar o Sr. Desembargador Adelino Salvado (que não sendo, eventualmente, simpatizante do CDS-PP é, ao menos a acreditar em notícias do PÚBLICO, simpático ao CDS-PP)?
PS: Tem razão. Eu sou militante do PS. Tem, também, razão. Eu não lhe escrevi quando um juiz foi impedido de intervir num caso porque o seu pai era assessor de um dos implicados.
Mas eu sou parcial e gosto de ser parcial. O PÚBLICO e o seu director é que se dizem independentes (são mesmo ou querem dizer-nos (só como chave de leitura) das suas simpatias político-partidárias?
Por outro lado;
Será que, como hoje sugere JPP no "ABRUPTO", o "PÚBLICO" foi (esquecendo-se de citar a fonte) copiar a notícia ao "DO PORTUGAL PROFUNDO"?
E, a propósito de dependências, independências, simpatias e ligações partidárias:
Será que o "PÚBLICO" conhece (e esconde) as dependências, independências, simpatias ou ligações partidárias do ilustre alcobacense Dr. António Balbino Caldeira?

2004-02-27

Segurex

A segurança pessoal quer-se secreta, como pretende PSL? discreta como sugeriram alguns membros do seu partido? ou ostensiva, como ostensivos são os profissionais dela?
Na verdade, a segurança pessoal é sempre ostensiva, como bem o sabem todos os cinéfilos e espectadores de telejornais.
A lógica da ostentação tem a ver com o seu carácter dissuasor.
Admitindo que há razões válidas que levem a julgar credíveis as ameaças que, pelos vistos, foram feitas a PSL, custando, embora, acreditar que tais ameaças tenham razões políticas ou institucionais, é da natureza da segurança pessoal a exibição pública da sua presença. Desde logo, só pode haver segurança pessoal se houver uma grande proximidade física entre o objecto da segurança e os agentes desta, ora, no caso, essa proximidade não pode deixar de ser notada. Todos nos habituámos a ver o playboy PSL acompanhado de mulheres. Agora, se anda acompanhado de homens, toda a gente vai notar. Os que têm vista, porque um matulão de cabelo à escovinha, fato e óculos escuros (ainda que sem auricular), armado em sombra de PSL, não pode deixar de ser notado. Os cegos, porque o perfume não será (espera-se) o mesmo das companhias costumeiras.
Qual é, então, a perturbação de PSL?
Só podem ser dúvidas sobre a necessidade e, ou, os procedimentos. Tivéssemos nós serviços de informações a funcionar regularmente, com uma comissão de acompanhamento e fiscalização a funcionar regularmente e, certamente, descansaríamos todos e não teríamos dúvidas sobre as necessidades de segurança de PSL.
A telenovela que, nos últimos tempos foi, e ainda é, esta área da governança é que pode fazer perigar a segurança de PSL e de muitos de nós.
Mas descanse, meu caro e involuntário presidente. Do meu ponto de vista ninguém lhe quer fazer mal.
Porque os eleitores de Lisboa zangam-se com quem faz mal mas nunca com quem faz nada.
Porque, que a gente saiba, você não tem negócios mafiosos.
Porque, a acreditar nas revistas cor de rosa, a idade já lhe vai pesando, não se vendo marido, namorado, pai ou irmão que tenha razões recentes para lhe bater.
Eu, se fosse a sí, dispensava a segurança e mais umas quantas manias de grandeza.

2004-02-18

Alcobaça

Deparei hoje, por mero acaso (ou antes, na sequência de uma regular busca na Net para saber como vai lidando Alcobaça com as exigências do nosso tempo e, na secreta esperança de um dia verificar que, afinal, a Câmara Municipal de Alcobaça não é a última a ter um site), com o maisalcobaça (http://www.maisalcobaca.blogspot.com/).
É cedo para críticas ou, sequer, opiniões. Mas já há duas ou três coisas que merecem reflexão:
a) Não vale a pena começar já a debitar opiniões sobre se Alcobaça está bem ou mal governada. Eu, pessoalmente, não tenho dúvidas de que está mal governada. Mas, isso é coisa para ser demonstrada a seu tempo com exposição de factos, números e idéias. A minha proposta é: não extrememos posições, apresentemos razões. Será o maisalcobaça o lugar onde posso dar a minha contribuição?
Uma pista de reflexão: DR, I Série B, nº 40, de 17-2-2004, Resolução do Conselho de Ministros n.º 11/2004 que inclue Alcobaça no mapa "Portugal menos favorecido"
b) A desconfiança sobre quem está por "detrás" do blog pode fazer sentido. Há inconveniente na identificação?
Eu, por mim identifico-me já: José Quitério (há colaboração dispersa nos semanários locais) e opiniões em http://www.blogspot.fadomaior.com
email: jose_quiterio@hotmail.com.
c) Não é claro, no manifesto, de que Alcobaça falamos: A sede do concelho ou o concelho? A coisa parece-me importante até porque se é para tratar exclusivamente dos problemas citadinos não estou interessado por aí além. Sou um serrano da Ataíja de Cima e já não tenho paciência para centralismos da treta. Conheço um texto impresso em que se defende que o presidente da Câmara devia ser um alcobacense de Alcobaça. Ora, para tal peditório eu não dou.
Se é para discutir o concelho, digam.
José Quitério