2004-02-18

Alcobaça

Deparei hoje, por mero acaso (ou antes, na sequência de uma regular busca na Net para saber como vai lidando Alcobaça com as exigências do nosso tempo e, na secreta esperança de um dia verificar que, afinal, a Câmara Municipal de Alcobaça não é a última a ter um site), com o maisalcobaça (http://www.maisalcobaca.blogspot.com/).
É cedo para críticas ou, sequer, opiniões. Mas já há duas ou três coisas que merecem reflexão:
a) Não vale a pena começar já a debitar opiniões sobre se Alcobaça está bem ou mal governada. Eu, pessoalmente, não tenho dúvidas de que está mal governada. Mas, isso é coisa para ser demonstrada a seu tempo com exposição de factos, números e idéias. A minha proposta é: não extrememos posições, apresentemos razões. Será o maisalcobaça o lugar onde posso dar a minha contribuição?
Uma pista de reflexão: DR, I Série B, nº 40, de 17-2-2004, Resolução do Conselho de Ministros n.º 11/2004 que inclue Alcobaça no mapa "Portugal menos favorecido"
b) A desconfiança sobre quem está por "detrás" do blog pode fazer sentido. Há inconveniente na identificação?
Eu, por mim identifico-me já: José Quitério (há colaboração dispersa nos semanários locais) e opiniões em http://www.blogspot.fadomaior.com
email: jose_quiterio@hotmail.com.
c) Não é claro, no manifesto, de que Alcobaça falamos: A sede do concelho ou o concelho? A coisa parece-me importante até porque se é para tratar exclusivamente dos problemas citadinos não estou interessado por aí além. Sou um serrano da Ataíja de Cima e já não tenho paciência para centralismos da treta. Conheço um texto impresso em que se defende que o presidente da Câmara devia ser um alcobacense de Alcobaça. Ora, para tal peditório eu não dou.
Se é para discutir o concelho, digam.
José Quitério

2004-02-13

Compromisso Portugal II

Abre um homem o site do Compromisso Portugal (http://www.compromissoportugal.com/pontosfortes.shtml) e depara com esta pérola:

“Fazei a apoteose dos vencedores, seja qual for o sentido, basta que sejam vencedores”.
“Gritai nas razões das vossas existências que tendes direito a uma pátria civilizada”.
- escreveu em Lisboa, Dezembro de 1917 , Almada Negreiros no seu “Ultimatum Futurista” e exprime a síntese daquilo que pretendemos incentivar nesta rubrica do nosso site.”

A esta hora o Almada estará a rebolar a rir, lá no Céu dos Grandes onde se encontra e onde mantém, certamente, o humor acutilante com que zurziu todos os Dantas deste mundo, incluindo os que só o conhecem do ZIP-ZIP, ou nem daí.

A minha proposta é, pois, que comecemos a desenvolver a economia portuguesa pelo sector editorial:

Um exemplar do “Ultimatum Futurista” para cada português! Já!
Devidamente acompanhado, está claro, de dois prefácios: um do Vasco Graça Moura e outro do Eduardo Prado Coelho, explicativos, ambos, do que se vê hoje olhando para o “Ultimatum Futurista” (dos lados direito e esquerdo, respectivamente).

ULTIMATUM
FUTURISTA
ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!
J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s
P O E T A
F U T U R I S T A
E
T U D O

E com sito ficam arranjados mais dois problemas para a Pátria resolver (sem falar, claro, da hipóteses de os dois ilustres publicistas acima mencionados não quererem fazer os prefácios, caso em que ficaríamos com quatro problemas).
Mas não nos antecipemos.
Por agora os problemas são dois:
a) Parece que há mais do que um Ultimato Futurista.
b) O Futurismo não era, propriamente, uma ideia democrática (ou será que isto não é um problema?)

2004-02-11

Compromisso Portugal

Vocês já repararam na imensa quantidade de textos que, tendo como objectivo comum a salvação da Pátria, foram produzidos nos últimos tempos pela classe empresarial portuguesa?
Porque é que esta gente não se dedica, antes, a modernizar as suas empresas?

Compromisso Portugal

Faltava mais esta. Ao extenso rol de candidatos a salvadores da Pátria, acrescentaram-se agora, de uma vez, seiscentos (seiscentos) empresários, gestores e universitários, todos juntos no Convento do Beato, ouvindo embevecidos esse d. sebastião económico da direita que dá pelo nome de António Borges, cujo invejável currículo se resume assim: director de uma escola em França, presidente de uma assembleia municipal eleito pelo PSD, vice-presidente de uma multinacional cujo “Nosso objetivo é fornecer retornos superiores a nossos accionistas” (tal como consta no respectivo site – tradução automática, pelo Google, do inglês), seja, uma multinacional que se está borrifando, muito de alto, para Portugal, para os portugueses, para os trabalhadores em geral e para os trabalhadores portugueses em particular.
O Sr. António Borges quer salvar Portugal mas nunca dirigiu uma empresa, nunca produziu um prego ou uma couve que fosse. Não. O seu negócio é dinheiro. Quanto mais dinheiro puder dar aos seus accionistas melhor para si. Se isso exigir o despedimento de metade de Portugal, tanto faz. Se isso exigir levar à falência metade dos empresários que o aplaudiram no Convento do Beato e o vão aplaudir nos próximos dias, um pouco por todo o país, tanto faz. Eles não são accionista da Goldman Sachs. Não é para eles que o Prof. tem de arranjar “retornos superiores”. Compromisso Portugal? É mentira. O compromisso do Prof. António Borges é com os accionistas da Goldman Sachs.

2004-02-03

Funcionários

Um funcionário público é, no imaginário do comum dos portugueses, um poltrão incompetente que não faz nem sabe.
Sempre assim foi e sempre assim será mas, há momentos, como o que agora vivemos, em que a coisa toma uma dimensão insuportável. É quando a sociedade inteira, Governo incluído, resolve fazer dos funcionários públicos o bode expiatório de todas as desgraças.
Curioso é que, para toda a gente, funcionários públicos são os outros.
Curioso é que, quando tentamos esmiuçar a coisa, ninguém é funcionário público.
Os governantes são governantes, apesar de lhes caber a eles, em primeira linha, defender a res pública, os militares são militares, os magistrados são magistrados (a Dr.ª M.ª José Morgado disse mesmo, recentemente, (cito de cor) que havia muitos magistrados a agir como funcionários públicos), os enfermeiros e médicos são enfermeiros e médicos, os professores são, naturalmente, professores, os engenheiros são engenheiros, os informáticos só sabem de informática, os investigadores investigam, os conservadores e guardas de museu dedicam a vida à Arte e a meninas da Loja do Cidadão são umas simpáticas meninas que nos atendem na Loja do Cidadão.
Estou mesmo convencido que também o tratador de cavalos da Coudelaria de Alter acha que não tem nada a ver com o assunto. Que é apenas tratador de cavalos. Isso permite-lhe, também a ele, zurzir sem dó nem piedade nos funcionários públicos.
Seria bom que alguém tentasse pôr ordem nisto.
E respondesse a esta questão simples:
De que falamos quando falamos de funcionários públicos?