Um funcionário público é, no imaginário do comum dos portugueses, um poltrão incompetente que não faz nem sabe.
Sempre assim foi e sempre assim será mas, há momentos, como o que agora vivemos, em que a coisa toma uma dimensão insuportável. É quando a sociedade inteira, Governo incluído, resolve fazer dos funcionários públicos o bode expiatório de todas as desgraças.
Curioso é que, para toda a gente, funcionários públicos são os outros.
Curioso é que, quando tentamos esmiuçar a coisa, ninguém é funcionário público.
Os governantes são governantes, apesar de lhes caber a eles, em primeira linha, defender a res pública, os militares são militares, os magistrados são magistrados (a Dr.ª M.ª José Morgado disse mesmo, recentemente, (cito de cor) que havia muitos magistrados a agir como funcionários públicos), os enfermeiros e médicos são enfermeiros e médicos, os professores são, naturalmente, professores, os engenheiros são engenheiros, os informáticos só sabem de informática, os investigadores investigam, os conservadores e guardas de museu dedicam a vida à Arte e a meninas da Loja do Cidadão são umas simpáticas meninas que nos atendem na Loja do Cidadão.
Estou mesmo convencido que também o tratador de cavalos da Coudelaria de Alter acha que não tem nada a ver com o assunto. Que é apenas tratador de cavalos. Isso permite-lhe, também a ele, zurzir sem dó nem piedade nos funcionários públicos.
Seria bom que alguém tentasse pôr ordem nisto.
E respondesse a esta questão simples:
De que falamos quando falamos de funcionários públicos?
2004-02-03
Pitágoras? Conheço bem, mas não sei como se chama
Aqui há uns anos, quando andava a fazer uma casa, vi o Sr. Almerindo, mestre de obras, a marcar os alicerces.
A coisa faz-se espetando umas estacas sobre as quais se fixam umas tábuas na horizontal, onde se esticam cordéis que vão definir, com rigor, o lugar dos alicerces.
Pois o Sr. Almerindo, esticado o cordel que definia a parede mais longa e assinalado com um prego cravado na dita tábua, o local exacto do cunhal, esticou o cordel por mais 80 cm meticulosamente medidos e cravou novo prego. A partir daí e para a esquerda baixa do lado oposto àquele para onde se devia desenvolver a segunda parede que havia de fazer com a primeira um ângulo de 90º, com os mesmos modos rigorosos mediu um metro e, com o lápis, traçou um arco de circunferência na perpendicular do primeiro prego. Foi-se, de seguida ao prego cravado no lugar exacto do cunhal e, para o lado onde tinha traçado o primeiro arco, com o mesmo método mediu 60 cm e traçou, a lápis, novo arco que se foi cruzar com aquele outro que antes tinha feito.
Aí, no exacto ponto de encontro de ambos os arcos, cravou novo prego.
Passou o cordel pelos três pregos e esticou-o até ao comprimento da nova parede.
Ah! Com que então o Sr. Almerindo conhece o teorema de Pitágoras!
Não Sr. Dr. Nada disso. Isto é assim: 3 para aqui, 4 para ali, 5 para acolá e temos um ângulo recto. Se em vez de 3, 4, 5 usarmos 6, 8, 10, ou 9, 12, 15 e por aí afora, também dá.
A coisa faz-se espetando umas estacas sobre as quais se fixam umas tábuas na horizontal, onde se esticam cordéis que vão definir, com rigor, o lugar dos alicerces.
Pois o Sr. Almerindo, esticado o cordel que definia a parede mais longa e assinalado com um prego cravado na dita tábua, o local exacto do cunhal, esticou o cordel por mais 80 cm meticulosamente medidos e cravou novo prego. A partir daí e para a esquerda baixa do lado oposto àquele para onde se devia desenvolver a segunda parede que havia de fazer com a primeira um ângulo de 90º, com os mesmos modos rigorosos mediu um metro e, com o lápis, traçou um arco de circunferência na perpendicular do primeiro prego. Foi-se, de seguida ao prego cravado no lugar exacto do cunhal e, para o lado onde tinha traçado o primeiro arco, com o mesmo método mediu 60 cm e traçou, a lápis, novo arco que se foi cruzar com aquele outro que antes tinha feito.
Aí, no exacto ponto de encontro de ambos os arcos, cravou novo prego.
Passou o cordel pelos três pregos e esticou-o até ao comprimento da nova parede.
Ah! Com que então o Sr. Almerindo conhece o teorema de Pitágoras!
Não Sr. Dr. Nada disso. Isto é assim: 3 para aqui, 4 para ali, 5 para acolá e temos um ângulo recto. Se em vez de 3, 4, 5 usarmos 6, 8, 10, ou 9, 12, 15 e por aí afora, também dá.
Túneis
À acusação de que o túnel das Amoreiras estaria a ser construído ilegalmente por inexistência de estudos e projectos obrigatórios, PSL reagiu alegando que também os seus antecessores cometeram o mesmo pecado.
Ora, tal silogismo apenas pode ter uma conclusão: A de que, de futuro, todos os túneis podem ser feitos sem os estudos e projectos legalmente obrigatórios.
Esta conclusão é, obviamente, inadmissível, como qualquer um entende.
Os limites da lógica escolástica são conhecidos, relevam, frequentemente, do mero bom senso e eram, antigamente, exemplificados no manual de Filosofia do 7º ano do Liceu com o silogismo do cão: A constelação é cão. O cão ladra. Logo, a constelação ladra.
Não deixa, por isso, de ser impressionante que este tipo de argumentação primária e absoleta domine o discurso “político” e, mais grave, que de seguida e de salto se passe para o discurso moralista e sensório, segundo o qual quem antes pecou não pode apontar a outrem o mesmo pecado.
É evidente que este círculo vicioso é o alimento da impunidade geral e tem que ser rompido.
Como fez o Zé Tita quando encontrou o irmão a bater na mãe:
Pegou num cacete e partiu-lhe um braço. A mãe também batia na avó, dizia o outro no intervalo dos gemidos de dor. Pois. Mas essa cadeia tem de ser quebrada. E é agora!
Ora, tal silogismo apenas pode ter uma conclusão: A de que, de futuro, todos os túneis podem ser feitos sem os estudos e projectos legalmente obrigatórios.
Esta conclusão é, obviamente, inadmissível, como qualquer um entende.
Os limites da lógica escolástica são conhecidos, relevam, frequentemente, do mero bom senso e eram, antigamente, exemplificados no manual de Filosofia do 7º ano do Liceu com o silogismo do cão: A constelação é cão. O cão ladra. Logo, a constelação ladra.
Não deixa, por isso, de ser impressionante que este tipo de argumentação primária e absoleta domine o discurso “político” e, mais grave, que de seguida e de salto se passe para o discurso moralista e sensório, segundo o qual quem antes pecou não pode apontar a outrem o mesmo pecado.
É evidente que este círculo vicioso é o alimento da impunidade geral e tem que ser rompido.
Como fez o Zé Tita quando encontrou o irmão a bater na mãe:
Pegou num cacete e partiu-lhe um braço. A mãe também batia na avó, dizia o outro no intervalo dos gemidos de dor. Pois. Mas essa cadeia tem de ser quebrada. E é agora!
2004-01-23
TSF
Não. Não estou em greve. Não estou em greve. Porque não quis estar e ninguém tem nada com isso.
Nem a Sra. Ministra tem, por isso, o direito de pensar que estou de acordo com ela. Não estou, de todo. Como lhe demonstrarei, se não antes, no dia das eleições.
Mas estar um homem a trabalhar, por opção consciente e deparar com uma notícia da TSF titulada “Função Pública, Um terço de 2003 foi passado em greve”, dá volta às tripas.
Notícia cobarde. Falsa. Manipuladora. Nojenta.
Será que a TSF se não vai retractar?
Será que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalista vai ficar parado?
Será que ninguém vai apresentar queixa crime por divulgação de notícia falsa causadora de alarme social?
Até quando vão estes “jornalistas” de meia tijela, continuar a armar-se em virgens inocentes?
Liberdade de imprensa?
Sim. Já a defendia quando metade destes pseudo-jornalistas ainda não tinha nascido ou andava de fraldas e, por isso, não fazem idéia nenhuma do que não ter liberdade de imprensa.
Liberdade de mentir?
Não!
Nem a Sra. Ministra tem, por isso, o direito de pensar que estou de acordo com ela. Não estou, de todo. Como lhe demonstrarei, se não antes, no dia das eleições.
Mas estar um homem a trabalhar, por opção consciente e deparar com uma notícia da TSF titulada “Função Pública, Um terço de 2003 foi passado em greve”, dá volta às tripas.
Notícia cobarde. Falsa. Manipuladora. Nojenta.
Será que a TSF se não vai retractar?
Será que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalista vai ficar parado?
Será que ninguém vai apresentar queixa crime por divulgação de notícia falsa causadora de alarme social?
Até quando vão estes “jornalistas” de meia tijela, continuar a armar-se em virgens inocentes?
Liberdade de imprensa?
Sim. Já a defendia quando metade destes pseudo-jornalistas ainda não tinha nascido ou andava de fraldas e, por isso, não fazem idéia nenhuma do que não ter liberdade de imprensa.
Liberdade de mentir?
Não!
2004-01-16
Tiranetes
Os tiranos marcam o seu tempo e condicionam o futuro.
Os tiranetes limitam-se a tentar desgraçar a vida aos seus contemporãneos.
Os tiranetes limitam-se a tentar desgraçar a vida aos seus contemporãneos.
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