A Geórgia é uma República, algures no sul da antiga URSS de que os portugueses em geral e eu em particular pouco sabem e, pelos vistos, pouco lhes interessa (ao menos a atentar que a notícia sobre os resultados das eleições presidenciais mereceu um único comentário no Sapo).
A notícia, no entanto é perturbante e devia perturbar-nos a todos.
Mikhail Saakachilli acaba de ser eleito presidente com um resultado ainda não totalmente apurado mas que cresce à medida que se avança na contagem dos votos. Já vai, ao que parece, nos 97,5%.
É certo que ainda não li nem ouvi nada que possa levar-me a pensar que as eleições não foram absolutamente livres. Mas 97,5%?
O Sr. Bush (que algumas más línguas teimam que só lá chegou através de uma chapelada eleitoral) devia estar atento e lançar, de imediato uma guerra preventiva. O homem até pode não ser, nem nunca chegar a ser, um ditador. Mas desta vez o Bush pode, sem falsificações, apoiar-se na História: No passado nunca houve nenhuma eleição livre que alguém ganhasse por tal margem. Só ditadores ( Salazar incluído – não se esqueçam) almejaram tais scores.
É claro que, mesmo que Mikhail Saakachilli venha a ser um ditador, há diferenças importantes que não podemos esquecer: Por um lado o homem é amigo dos americanos. Por outro, indo ainda mais longe que o Paulinho das feiras que também é amigo dos americanos e dos desprotegidos em geral, prometeu aos georgianos um aumento das reformas de 5 para 10 euros mensais.
Quem é o eleitor que pode resistir a tamanho amor pelo próximo?
2004-01-06
2003-12-30
Um TGV às arrecuas
Voltamos a andar para trás.
De novo parece que cada um quer ter o TGV a passar-lhe no quintal (vocês imaginam o barulho e a deslocação de ar que a coisa faz?) e a parar-lhe à porta.
Agora é a Assembleia Municipal de Coimbra que unanimemente (a unanimidade é património coimbrão, pelo menos desde Souselas – a propósito, alguém sabe onde estão a pôr o lixo?) exige uma estação de TGV e mais, exige que o nó de ligação a Madrid ali fique também.
Diz o Dr. Carlos Encarnação que não quer ter de vir a Lisboa para ir a Madrid.
Mas que raio quer ele ir fazer a Madrid? Prestar vassalagem? (Pela sensibilidade que mostrou quando era Secretário de Estado duvido que queira ir ver o Prado ou o Rainha Sofia).
Mas o importante não é isso. Por mim pode ir para Madrid ou, de preferência, para a Conchinchina e não voltar.
O importante é que tudo não passa de manobras para inviabilizar o TGV que, obviamente, ou não pára em Coimbra ou não é TGV.
É tempo de passarmos a dar menos atenção à notícia do dia e tentarmos ver um bocadinho mais longe.
Quanto ao TGV e ao novo Aeroporto que, necessariamente lhe está associado, importa ler bons textos que, apesar de tudo, ainda vão sendo publicados. Preste-se alguma atenção ao que dizem, por exemplo, o Reis Borges ou o António Brotas.
É tempo de percebermos que o anúncio do TGV feito pelo Dr. Durão Barroso após conversa com o Sr. Aznar, implica a morte do Aeroporto da OTA.
É tempo de percebermos que as posições agora expressas por Coimbra inviabilizam o TGV Lisboa-Porto e terão apenas por efeito dar um apoio suplementar a este Governo que não quer o Aeroporto da OTA (com o que, aliás, estou de acordo), nem quer o TGV.
Porquê? Porque o TGV só é competitivo com os meios de transporte mais lentos – outros comboios e automóveis -, ou mais rápidos – avião -, em distâncias entre os 300 e os 600 kilómetros. Logo, um TGV Lisboa-Porto não pode parar na Ota nem em Coimbra, nem no Entroncamento, nem em qualquer outra estação intermédia.
A verdade é que uma linha Lisboa-Porto modernizada, (incluindo a rectificação do traçado, em diversos pontos) onde os actuais comboios ALFA Pendolino possam desenvolver a velocidade de que são capazes (mais de 200 km/hora), é a única solução compatível com qualquer das hipóteses possíveis, para a necessária ligação a Espanha (à Europa) e, bem assim, com a eventual construção de um aeroporto a Norte de Lisboa e com uma paragem em Coimbra. (A construção de um Aeroporto a sul de Lisboa tornaria o TGV competitivo mas, apenas, num Percurso Porto-Novo Aeroporto-Lisboa, sem outras paragens).
De novo parece que cada um quer ter o TGV a passar-lhe no quintal (vocês imaginam o barulho e a deslocação de ar que a coisa faz?) e a parar-lhe à porta.
Agora é a Assembleia Municipal de Coimbra que unanimemente (a unanimidade é património coimbrão, pelo menos desde Souselas – a propósito, alguém sabe onde estão a pôr o lixo?) exige uma estação de TGV e mais, exige que o nó de ligação a Madrid ali fique também.
Diz o Dr. Carlos Encarnação que não quer ter de vir a Lisboa para ir a Madrid.
Mas que raio quer ele ir fazer a Madrid? Prestar vassalagem? (Pela sensibilidade que mostrou quando era Secretário de Estado duvido que queira ir ver o Prado ou o Rainha Sofia).
Mas o importante não é isso. Por mim pode ir para Madrid ou, de preferência, para a Conchinchina e não voltar.
O importante é que tudo não passa de manobras para inviabilizar o TGV que, obviamente, ou não pára em Coimbra ou não é TGV.
É tempo de passarmos a dar menos atenção à notícia do dia e tentarmos ver um bocadinho mais longe.
Quanto ao TGV e ao novo Aeroporto que, necessariamente lhe está associado, importa ler bons textos que, apesar de tudo, ainda vão sendo publicados. Preste-se alguma atenção ao que dizem, por exemplo, o Reis Borges ou o António Brotas.
É tempo de percebermos que o anúncio do TGV feito pelo Dr. Durão Barroso após conversa com o Sr. Aznar, implica a morte do Aeroporto da OTA.
É tempo de percebermos que as posições agora expressas por Coimbra inviabilizam o TGV Lisboa-Porto e terão apenas por efeito dar um apoio suplementar a este Governo que não quer o Aeroporto da OTA (com o que, aliás, estou de acordo), nem quer o TGV.
Porquê? Porque o TGV só é competitivo com os meios de transporte mais lentos – outros comboios e automóveis -, ou mais rápidos – avião -, em distâncias entre os 300 e os 600 kilómetros. Logo, um TGV Lisboa-Porto não pode parar na Ota nem em Coimbra, nem no Entroncamento, nem em qualquer outra estação intermédia.
A verdade é que uma linha Lisboa-Porto modernizada, (incluindo a rectificação do traçado, em diversos pontos) onde os actuais comboios ALFA Pendolino possam desenvolver a velocidade de que são capazes (mais de 200 km/hora), é a única solução compatível com qualquer das hipóteses possíveis, para a necessária ligação a Espanha (à Europa) e, bem assim, com a eventual construção de um aeroporto a Norte de Lisboa e com uma paragem em Coimbra. (A construção de um Aeroporto a sul de Lisboa tornaria o TGV competitivo mas, apenas, num Percurso Porto-Novo Aeroporto-Lisboa, sem outras paragens).
2003-12-24
Ladysmith Black Mambazo
Ouvi pela primeira vez os Ladysmith Black Mambazo na televeisão, num concerto do Paul simon - Live in San sebastian - de promoção do álbum Graceland.
Cantaram "Homeless".
Hoje, véspera e Natal, comecei o dia a ouvir os instrumentistas negros de Ladysmith e o homeless.
Não tem nada a ver com o Natal nem com sem-abrigos.
É apenas o prazer de ouvir o mais fabuloso dos instrumentos já inventados - a voz humana.
com a vantagem de que, não sabendo eu inglês nem, muito menos, zulu, o que leio na capa do CD é quase nada e o que ouço é música.
Apenas música.
Cantaram "Homeless".
Hoje, véspera e Natal, comecei o dia a ouvir os instrumentistas negros de Ladysmith e o homeless.
Não tem nada a ver com o Natal nem com sem-abrigos.
É apenas o prazer de ouvir o mais fabuloso dos instrumentos já inventados - a voz humana.
com a vantagem de que, não sabendo eu inglês nem, muito menos, zulu, o que leio na capa do CD é quase nada e o que ouço é música.
Apenas música.
2003-12-22
Manifesto Natalício
Server este texto para apresentar algumas reflexões sobre esta quadra que nos envolve e consome.
A época desperta em mim um misto de sensações. Venhode uma longa tradição de natais
felizes em família, com prendas em abundância para distribuir por miúdos e graúdos, o que à primeira vista deveria indicar uma admiração incondicional pela época. Não entanto não posso deixar de reparar que o Natal é talvez a
mais clara demonstração de completa inversão de valores em que vivemos, emespecial a vergonhosa manipulação das crianças (penso que a publicidade explicitamente dirigida às crianças deveria ser pura e simplesmente
proibida) a que se assiste em dimensões inimagináveis. Que é que cada um de nós procura e vê no natal? Dúvido que alguém se lembre ou dê importância á raiz religiosa. Eu confesso que não procuro nem festejo nada no Natal que
não seja a desculpa para estar em festa junto com a minha família.
Outro fenómeno curioso é que o Natal (ou melhor, o rescaldo do natal) é um dos primeiros instantes em que as crianças se apercebem que também elas não são todas iguais. Excepto nos tristes casos de carência efectiva de bens
essenciais (comida e vestuário), as crianças mais pequenas não são capazesde distinguir o seu "status" social, elas não percebem a diferença entre umas calças de €10 e umas de €100, entre o pai de um menino ter um mercedes
e outro um fiat. Até que no natal essas diferenças entram no seu mundo que, por pressão do consumo, deixou de ser um mundo de brincadeiras e passou a ser um mundo de brinquedos. Os pais estão conscientes deste fenómeno e
rapidamente entram numa espiral de loucura em que compram tudo à criança com medo do trauma e recordações de carência (mais frequentes no seu tempo).
Resumindo: o Natal, como qualquer outra boa desculpa para reunir a família, deve focar-se no fortalecimentos
dos laços que naturalmente nos unem. Como diz sempre o meu santo paizinho: "Os amigos a gente escolhe, os vizinhos e a família a gente tem!". Este fatalismo não é necessáriamente mau e cria uma verdadeira relação de longo
prazo, tão fora de moda nos nossos dias.
um bom Natal!
A época desperta em mim um misto de sensações. Venhode uma longa tradição de natais
felizes em família, com prendas em abundância para distribuir por miúdos e graúdos, o que à primeira vista deveria indicar uma admiração incondicional pela época. Não entanto não posso deixar de reparar que o Natal é talvez a
mais clara demonstração de completa inversão de valores em que vivemos, emespecial a vergonhosa manipulação das crianças (penso que a publicidade explicitamente dirigida às crianças deveria ser pura e simplesmente
proibida) a que se assiste em dimensões inimagináveis. Que é que cada um de nós procura e vê no natal? Dúvido que alguém se lembre ou dê importância á raiz religiosa. Eu confesso que não procuro nem festejo nada no Natal que
não seja a desculpa para estar em festa junto com a minha família.
Outro fenómeno curioso é que o Natal (ou melhor, o rescaldo do natal) é um dos primeiros instantes em que as crianças se apercebem que também elas não são todas iguais. Excepto nos tristes casos de carência efectiva de bens
essenciais (comida e vestuário), as crianças mais pequenas não são capazesde distinguir o seu "status" social, elas não percebem a diferença entre umas calças de €10 e umas de €100, entre o pai de um menino ter um mercedes
e outro um fiat. Até que no natal essas diferenças entram no seu mundo que, por pressão do consumo, deixou de ser um mundo de brincadeiras e passou a ser um mundo de brinquedos. Os pais estão conscientes deste fenómeno e
rapidamente entram numa espiral de loucura em que compram tudo à criança com medo do trauma e recordações de carência (mais frequentes no seu tempo).
Resumindo: o Natal, como qualquer outra boa desculpa para reunir a família, deve focar-se no fortalecimentos
dos laços que naturalmente nos unem. Como diz sempre o meu santo paizinho: "Os amigos a gente escolhe, os vizinhos e a família a gente tem!". Este fatalismo não é necessáriamente mau e cria uma verdadeira relação de longo
prazo, tão fora de moda nos nossos dias.
um bom Natal!
2003-12-17
Resposta ao Dr. Pedrovs
É bom para o ego saber que temos leitores (se calhar o plural é exagero).
Quanto aos dicionários de rimas, são velhos e sempre tiveram muito uso.
O problema não é esse.
O que me angustia é o valor das palavras. Tinha eu meio escrito o post anterior que, então, ainda se chamava Pai Natal Eu Quero quando a Clara Ferreira Alves publicou, na Única do Expresso, um texto diferente mas da mesma inspiração. Aí hesitei e o Pai Natal esteve quase a caminho do lixo.
Servem para alguma coisa estes escritos?
Os da CFA são profissionais. É daí que lhe vem o sustento. Estão justificados. Os meus são o quê?
Words, words, words. Será que o velho Wiliam já sabia tudo?
Ou, como queria o Almada, já estão escritas todas as palavras que hão-de salvar o mundo, só falta salvar o mundo?
São estas angústias que justificam as intermitências deste blog
Quanto aos dicionários de rimas, são velhos e sempre tiveram muito uso.
O problema não é esse.
O que me angustia é o valor das palavras. Tinha eu meio escrito o post anterior que, então, ainda se chamava Pai Natal Eu Quero quando a Clara Ferreira Alves publicou, na Única do Expresso, um texto diferente mas da mesma inspiração. Aí hesitei e o Pai Natal esteve quase a caminho do lixo.
Servem para alguma coisa estes escritos?
Os da CFA são profissionais. É daí que lhe vem o sustento. Estão justificados. Os meus são o quê?
Words, words, words. Será que o velho Wiliam já sabia tudo?
Ou, como queria o Almada, já estão escritas todas as palavras que hão-de salvar o mundo, só falta salvar o mundo?
São estas angústias que justificam as intermitências deste blog
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