2003-12-15

Dicas para uma carta ao Pai Natal

Pai Natal eu quero
O nenuco que toma banho
Um peluche do meu tamanho
Uma bicicleta que a que tenho
está na terra do meu pai aldeia de Pardilhó
em casa da minha avó
Quero uns ténis novos da Brooklin (estes Nike metem dó
o modelo já não se usa)
E quero também uma blusa
linda que vi na Fashion
Um after shave lotion
e um perfume da Escada
Não quero que me falte nada
Um computador, montes de jogos
Uma barbie dançarina
Uma caixa de pokemons
e uma outra de bombons que é para dar à professora
Uma consola
Um discman
Muitos CD
e para o quarto uma TV
Netcabo ADSL
Telemovel Telecel
E aos dezoito um automóvel
Os livros do Harry Potter
Uma minissaia da Zara
Muita roupa da mais cara
Umas meias Benneton
Eu quero tudo de bom
Do Ralph Lauren um polo
e outro da QuebraMar
Um relógio da Swatch
Um outro da Timberland
Uma mesada bem grande
Um fato da Tavar
Um biquini para nadar
No inverno ir esquiar
para Andorra nos Pirinéus
E um óculos iguais aos teus
Uns boxers às risquinhas
E outros com campaínhas
As jeans quero da Salsa
Um taco de baisebol
Uma bola de futebol
do Euro 2004
Mais um par de sapatos
Uma alcofa para os gatos
E o resto que não me lembra
E um leitor de MP3
Pai Natal
Eu quero tudo de uma vez
Eu mereço
Nesta época nunca esqueço
A miséria que há no mundo

Oh! Que poema profundo.
















2003-12-11

O perú de plástico

“... se o peru (o falso perú de plástico com que Bush se fez fotografar no Iraque, tentando convencer-nos que se tratava de um verdadeiro perú) ganha tanto relevo é porque nele se consubstancia um estilo que a Administração americana promoveu: a realidade não basta em si mesma, é preciso produzi-la e encená-la.
Foi este o caso da mulher-soldado Jessica Lynch, transformada em heroína pelo Pentágono para poder fornecer um argumento para um filme. Tudo falso, como se veio a comprovar. E foi este o estatuto das famosas "armas de destruição maciça", que cada vez mais aparecem como um pretexto claramente encenado para convencer a opinião pública mundial. A QUESTÃO ESTÁ EM SABERMOS ATÉ QUE PONTO ESTES REINCIDENTES FALSIFICADORES DA REALIDADE PODERÃO SER OS MELHORES DEFENSORES DA VERDADE DEMOCRÁTICA.” (Eduardo Prado Coelho – PÚBLICO, 11-12-2003)

Os EUA Divulgaram Ontem Uma Lista de 63 Países Autorizados a Concorrer a Contratos para a Reconstrução do Iraque com a Verba Recentemente Aprovada pelo Congresso, e Que Exclui Os Que Se Opuseram à Guerra, Nomeadamente a França, a Alemanha, a Rússia e o Canadá. Portugal Está Entre Os 63 Autorizados a Competir. (PÚBLICO, 11-12-2003)

Os americanos acabam, assim, de reintroduzir o direito de saque nas relações internacionais. Como na Idade Média, os vencedores arrogam-se o direito de reservar para si os despojos da guerra.
Será que a humanidade vai ficar a ver? Cobardemente. Em silêncio? Digam-me Senhores seguidores acríticos do Grande Cowboy.
Será que as regras internacionais permitirão amanhã conduta idêntica a um governo iraquiano (ainda que um governo fantoche dos EEUU)?
Será que a comunidade e as regras internacionais permitiriam, hoje, ao governo português afastar dos contratos as empresas de um qualquer país com base em tais argumentos? (Por exemplo proibir empresas alemãs de contratar em Portugal?)
Podem, à luz do direito internacional, fazer os EEUU dentro do seu próprio território, o que querem fazer no Iraque?
Pergunta mais comezinha: Porque hão-de poder os EEUU promover empreitadas no Iraque? Pela mesma razão, e só por essa razão, que o Sr. Junot pode, no seu tempo, promover empreitadas em Portugal.


2003-11-15

O fio de Ariadne

Não pode sair do labirinto quem não reconhece o caminho que o lá levou.
Há um labirinto em Bagdad onde, todos os dias, os aventureiros oferecem jovens em sacrifício.
Vai ser assim até que a sensata Aradne comece a desenrolar o seu fio.

2003-11-12

Ataíja de Cima

Como já terão percebido por um post anterior, Ataíja de Cima é a minha terra.
Se me der na veneta, ainda hei-de aqui escrever algumas coisas sobre o único lugar do Mundo onde não me importava de ser cego, porque conheço os caminhos e os carreiros, os cheiros, as paredes e as casas e as pessoas pelo tom de voz.
Mas isso ficará para outra altura.
Este post é só para a hipótese de ser lido por alguém que conheça a Ataíja de Cima, lá resida, lá tenha nascido ou lá tenha amigos. Se é o caso não se esqueça.
Dia 18 de Janeiro de 2004, vai ter lugar o 5º almoço anual do SALÃO CULTURAL ATAÍJENSE.
Até lá.

Quantos são?

O Governo está a braços com uma tarefa impossível: O recenseamento da função pública.
Como em todos os outros recenseamentos anteriores, vamos chegar ao fim (quando chegarmos, porque muitos serviços não foram capazes de cumprir o prazo inicial e, não tenho dúvidas, muitos deles hão-de acabar por fornecer dados muito martelados), mais uma vez, sem saber ao certo quantos funcionários temos.
Nada que devesse espantar quem conhece minimamente o problema.
Lembro-me de, há cerca de 15 anos, numa conferência organizada pelo STE, o representante da então República Federal Alemã começar a sua intervenção perguntando: quantos funcionários públicos há na RFA? E responder sorrindo: depende da maneira de os contarmos.
Seja, o recenseamento da função pública não é possível enquanto se não definirem regras claras e rígidas de contagem.
E não me venham com facilitismos. Quem acha que é fácil, experimente colocar à discussão, à mesa do café com os amigos, os seguintes problemas: como é que se conta o enfermeiro que pertence ao quadro de um hospital público mas presta, também, serviço no INEM? Como é que se conta o professor universitário que dá aulas em duas universidades públicas ou é, ao mesmo tempo, funcionário ou dirigente de um serviço público? Ou, melhor ainda, comecem a discussão por responder às seguintes questões: Porquê e para quê queremos um recenseamento da Função Pública?